terça-feira, 21 de novembro de 2017

FALA ÁFRICA... PEDRO PEREIRA LOPES

M. P. Bonde: Um Honesto Artesão da Palavra
“…Que deve o poeta fazer para ser um bom poeta?”, questionou-se Mário Faustino, crítico literário e poeta brasileiro, com um quinhão de sátira na língua. Macvildo Pedro Bonde, que assina M. P. Bonde (quiçá, inspirado em C. S. Lewis), lançou, no começo deste ano, o seu primeiro livro, “Ensaios Poéticos”, um caderno de prosa-poética que caiu nas graças dos leitores e da parca crítica: voz própria – ainda que seja um autor de várias referências, sobretudo Rimbaud, Walter Benjamim, Pessoa e Patraquim –, e aceso cultor da palavra, escolhida entre a descrença e a obsessão. Mas M. P. Bonde não é um “novo poeta”, a sua actividade poética já era largamente sabida antes mesmo da publicação destes “Ensaios”, publicado aos seus 37 anos. Participou em antologias, publicou em web-revistas, foi (é) activista cultural e dizedor de poemas. Para M. P. Bonde, o livro não sai tarde, por um lado, “o tempo foi-me útil para conhecer e amadurecer a minha poesia”, por outro lado, o poeta ficou à espera de um projecto editorial que o seduzisse. M. P. Bonde disse, em resposta à minha provocação em torno dos “poemas geniais” (p. 33), que neste caso compõem o livro, “ainda não estou lá, vou procurando, todos os dias, roçar esta genialidade”.
Conheci o M. P. Bonde em 2011, quando Fernanda Angius criou a oficina de escrita, no Instituto Camões. Por lá conheci, ainda, escritores como o Mbate Pedro, Nelson Lineu, Mauro Brito, entre outros. Bonde, como todos os outros, procurava aprender mais e, sobretudo, um revisor-editor. De lá para cá, voltei a revê-lo em 2015, na casa da professora Angius, antes de passarmos a frequentar mais lugares que nos passariam a ser comuns.
Este “Ensaios Poéticos”, editado pela Cavalo do Mar, é como o respirar de uma baleia azul, junto à superfície, onde o poeta deixa de ser asceta, deixa de viver no seu desassossego, nos tais “lugares incógnitos” (p. 32), em busca de “um lugar ao sol” (p. 47). Enquanto via os “outros” publicarem, Bonde terá vivido um inferno, se percebido o inferno como “possuir um talento que não pode ser usado”, como diria o antigo senador americano Gary Hart. A prosa-poética de M. P. Bonde é construída com bastante cuidado, de forma sigilosa, não a 180, como o fazia Eduardo White, na sua insensatez, no seu “prazer invulgar em andar no carrinho de rodas (White, 2008), mas a conta-gotas, como quem se vê metido numa ampulheta, e “O silêncio é uma chacota” (Bonde, p. 41). O processo criativo de M. P. Bonde é bem diferente do de White, mas os resultados são igualmente excelsos.
Em suma, este volume de poemas sofre de um grande vício, o comprometimento, a ideia de que tudo não passa de mero “exercício poético” (p. 52), que origina no autor um “desespero sem igual (idem). É por isso, creio, que M. P. Bonde faz uma poesia neo-realista, “que não reproduz a realidade como ela é, fotograficamente, mas, sim, a realidade dinâmica (o seu movimento), na totalidade dos seus aspectos (Coelho, 1984). Como dissera antes, este é um “livro do desassossego”, interior e exterior, por isso o autor vai desfilando pelas noites, cidades, épocas e sentimentos (p. 13, p. 14, p. 16 e 17, p. 18 e 23, etc., respectivamente). M. P. Bonde levou 4 anos para ajuntar estes “Ensaios”, sobrepõe o pensamento à sensação, e a sua poesia torna-se, afinal, meta-poesia.
Conversei com o M. P. Bonde no final de Março, numa das mesas do restaurante da Associação dos Escritores Moçambicanos. Atrasei-me, o poeta queixou-se da minha demora, ele tinha ainda de retornar ao seu posto de trabalho e, depois, pegar o filho na escolinha. Quando ia começar a entrevista, outra tragédia, eu tinha deixado o guião na mesa da cozinha de casa. Que remédio: tive de apelar à memória. M. P. Bonde contou-me que não sabe “como se descobre o bichinho da escrita”. Ele sempre sentiu que havia algo dentro de si, como uma semente por brotar. Os livros infantis, a começar, e leituras adultas (“Portagem”, “Uma época no inferno”, “O Estrangeiro”, “O Livro do Desassossego”, “País de mim”, etc.), depois, criaram condições para que o poeta surgisse. “Viver é mais fácil do que escrever”, disse M. P. Bonde, citando Hemingway. Algumas das perguntas que fiz, com detalhes pessoais, tiveram as seguintes respostas:
Tem hobbies?
Música. Toquei flauta. Também dancei. Danças tradicionais, nada de quizombas!
Há algum poema que já te fez chorar?
“Alquimia do verbo”, de Rimbaud. Há uma toda história por trás da obra.
Com o que trabalhas?
Comunicação, mas sou formado em história.
O teu trabalho, de certa forma, inspira a tua arte?
Estou a trabalhar com comunicação há poucos anos, logo, não influenciou este livro.
Sempre quis ser poeta? Quando decidiste que querias escrever prosa-poética?
Não sei se se decide ser poeta, penso que seja resultado de várias leituras. Quanto à prosa-poética, foi depois de ter lido Rimbaud, Herberto Hélder, o “Desassossego” de Fernando Pessoa. Eu percebi que escrevendo em verso, perdia alguma coisa.
Os temas deste livro, são fruto de uma procura ou eles aparecem?
Para este livro, eles apareceram. Os outros (no prelo) são mais temáticos.
Durante a entrevista, M. P. Bonde revela-se uma pessoa tímida, de poucas palavras. Cruza os braços, fica calado, ri-se, ironicamente. Gesticula, às vezes é um agricultor que planta arroz. Como poeta, Bonde diz que procura ser “autêntico dentro duma realidade em que se cruzam saberes”. Aceita que vive numa época em que tudo já foi dito e escrito, mas cita Walter Benjamim, “o que faz com que uma coisa seja autêntica é tudo o que ela contém de originariamente transmissível, desde a sua duração material até ao seu poder de testemunho histórico”. Estamos cansados, ambos não almoçamos, fazemos uma pausa para tomar uma sopa de legumes. Peço também dois copos de cerveja. Enquanto saboreamos, analisamos a onda de oferta de livros protagonizadas pelo Fundo Bibliotecário de Língua Portuguesa.
Minutos depois, volto a ligar o gravador do telemóvel. Pergunto-lhe se tem, também, uma paranóia pela “ilha”, como Knopfli, Saúte, White e Sangare Okapi, mesmo a propósito de um dos seus poemas (“Ilha”, p. 19). Bonde vinca o sobrolho, diz que sempre gostou dos mistérios que envolvem a “Ilha”. Cita Patraquim e a Ilha de Moçambique, a Ítaca de Kavafis, Zanzibar e a ilha imortalizada em Robinson Crusoé, de Daniel Defoe: a “minha viagem imaginária”. Na questão seguinte, pergunto-lhe se “tem tempo para a poesia”, sobre o seu “projecto de poeta”, e Bonde dá a sua definição de poesia:
Terei sempre [tempo] enquanto tiver forças para tal. Se pudesse viveria apenas esse mundo lúdico. Mas, a vida não é só de flores. Ela empresta-nos outro status, como pai, irmão, filhos ou trabalhador com os quais devemos conviver de forma harmoniosa, embora a poesia sempre mostre as suas garras, porque transmite liberdade. É essa liberdade que procuro, e não ter tempo para poesia, far-me-ia. Gosto de trabalhar a palavra. A poesia é verbo.
Durante o curso da conversa, vamos tocando vários assuntos, a sua dificuldade em titular os textos, o que faz com que eles sejam identificados por uma só palavra (p. 13, p. 15, p.16, p. 17, p. 40, etc.), a ausência de uma dedicatória geral, já que alguns poemas são dirigidos (p. 15, p. 19, p. 33 e p. 47), e sobre as alusões a diversos autores ao longo dos poemas. M. P. Bonde sorriu, parecia um poeta satisfeito: “São os meus autores”, disse.
Tinha ainda duas perguntas por fazer, mas o tempo escasseava. Resolvi desistir de questionar sobre a ideia “de arte pela arte” nos seus textos (“Quantos exercícios faltam para o poema vertical?”, p. 14; “Onde encontrar a chama da palavra correcta…”, p. 25; “Palavras para quê?”, p. 41), e procurei saber da sua relação com o falecido poeta existencialista Adolfo Saphala, a quem Bonde dedica o poema “Adolfo Saphala” (p. 33). “Conheci-o no ICMA”, disse ele, “depois de uma noite de poesia”. Bonde emociona-se quando fala de Adolfo Saphala, os seus olhos brilham, fica boquiaberto, as palavras fogem-lhe com insistência. “Éramos muito próximos”, explica, dando ênfase ao camaradismo e às aventuras pelas ruas escuras da Baixa de Maputo. “Ele já tinha o seu talento, nós estávamos ainda aí… Ele inspirou-me bastante. Ele era mais maduro. Era uma pessoa insatisfeita consigo mesma”, Bonde parece recordar-se de um momento específico, depois fecha. “Faltou-lhe tempo para mostrar o seu talento.”


Referências
Bonde, M. P. (2017), “Ensaios Poéticos”. Cavalo do Mar edições: Maputo.
Coelho, Eduardo P. (1984), “A Mecânica dos Fluídos – literatura, cinema, teoria”. Imprensa Nacional – Casa da Moeda: Vila da Maia.
Hart, Gary (1996), “O Príncipe”, in: Great Books, documentário. Discovery Network: Nova Iorque.
White, Eduardo (2008), “O Homem a Sombra e a Flor & algumas cartas do interior”. Texto Editores: Maputo.

Mini Biografia

Pedro Pereira Lopes é escritor, docente universitário e pesquisador. Fez rádio, música e criou os blogs "Kumbukilah" (2009), "cadernos de haidian" (2012), "Entre Aspas Escritor (2013), entre outros. Editou a web-revista de literatura jovem “Lidilisha” e assina a coluna "Vão homens ao meu lado distraídos", no jornal "Debate". Tem formação superior em Administração e Políticas Públicas.





segunda-feira, 20 de novembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... PATRÍCIA PORTO XIX

Tudo tão provisório, Rose. Hoje encontrei nossas cartas, os poemas trocados no escuro da rua. Onde você estaria neste mundo? Por que não te encontro em lugar nenhum? De nós duas apenas uma foto com o sabor dos anos oitenta. E ainda guardo um guardanapo com escritas tortas, versos da nossa última vez num pé sujo. Por isso preciso andar todos os dias para tentar juntar estes fragmentos que também não me consolariam mais da perda da alma amiga.

Tudo tão intrigado em 86, uma mola de suspensão, uma ampulheta quebrada, um país se abrindo, mas não para nós, esquecidas de tantos e no chão de um alçapão de colher mulheres. Pois veja, essa minha roupa íntima, por exemplo, ela está muito bem surrada, vem sendo amaciada pelo meu sexo e vive desses contatos provisórios com minha mais doce e ácida notícia, minha pertença de mulher, uma mulher desconhecida das outras. Perdoem, elas não sabem de nós. São puras e inocentes, mamaram nos peitos de outras mães puras e inocentes e ainda tiveram boas escolas. Minha calcinha amaciada de algodão é minha poesia íntima e diária, longe daquele nome coletor que nos ordenava a costura de peças para reposição das vaginas de moças que se julgavam tão esclarecidas sobre nós, mas que nunca pisariam em nossos territórios – por medo, vergonha ou pelos dois. Pobres moças envergonhadas. Perdoem, elas não sabem de nós, Rose. Não sabem a metade da fruta que se pode sorver.

E lembro que eu e Rose, debruçadas sobre a janela, ficávamos juntas fumando um baseado. Rose sim sabia onde escondê-lo. Ríamos do cheiro, porque passado pela revista das guardas, fumávamos outras tantas intimidades. A pele, erva doce, cabelos pubianos. Fumávamos uma cigarrilha e íamos para o disfarce, a cigarrilha que eu comprava como criminosa ao invés do pão. A pele e osso como deboche para as propagandas de alimentação saudável. Brincávamos as duas de trocar palavras, como "nada, nós fumamos apenas umas cigarrinhas", era como um tapa nos que nos condenavam por sermos mulheres da cidade baixa, nós ali brincando de jardins nos ralos da periferia, preservando os reinos vegetal, mineral e animal - para que as mais fortes crescessem robustas, rosadas. Nossos corpos de cigarras, nossos pelos pubianos, os cheiros crespos de nossos corpos, sabor de boca na nuca, o clitóris na boca um botão, entumecido, para ser chupado e na língua o delicado se abrindo e fechando em grandes, pequenos lábios de nossa linguagem de mistérios marinhos, molhados, molhadas, liquefeitas. Era tudo tão fundo que gargalhávamos das pequenas transgressões como loucas sedentas uma da outra. O salgado do abismo nos unia, a solidão das migrantes, a ousadia das putas, a insensatez dos homens que nos batiam e pagavam cervejas no fim do expediente. Sonhávamos em ser mulheres barrocas como as da igreja onde não íamos rezar, porque éramos a escória contagiada por todo tipo de subversão sem perspectivas de nada.

Conversávamos longamente sobre suicídio. Era um tema recorrente, porque éramos feias e pobres, não tínhamos casa, vivíamos nas rodas dos inválidos, apanhando de um ou de outro. Tínhamos direito ao suicídio, perguntei? Rose então me disse que não, morreríamos em asilos ou manicômios, isoladas dos pequenos prazeres terrenos, morreríamos de nosso próprio esgotamento de vida, amofinadas, e morreríamos da crueldade disfarçada de bondade humana, outra violência.

Para Rose, suicídio era uma terra apartada, não nos era palavra familiar como homicídio, morte a pauladas. Era um outro continente, como viajar para um país de outra língua, comprar uma peça de consumo caro, um queijo fedido, pertencia às que podiam comprar um bilhete sem volta.

Ao barulho do sinal, entre gargalhadas ainda, nosso efeito de pequena rebeldia esfumaçava. Voltávamos de mãos dadas para o calabouço da colônia. Siamesas. Atemporais também.

Antes de entrar, ela arrancou um hibisco e colocou no meu cabelo, suave na brutalidade do corte. Arrancou um hibisco em pleno dia e o sol ainda iluminava nossas caras!

Éramos barrocas.

domingo, 19 de novembro de 2017

FALA AÍ BRASIL... JOÃO AYRES VIII

O livro das intenções e fracassos.
1 Tragédia número um.
Ontem cheguei cedo e preparei um belo jantar.
Esperava que ela chegasse feliz, pois amanhã não teríamos que trabalhar.
Preparou em terceira pessoa do singular arroz branco solto com legumes, quase um risoto, berinjela recheada com molho de tomate orgânico e mais a tal salada verde com tomates italianos. Tudo isso regado a vinho tinto.
Ela chegou com uma cara atemporal e com as roupas amassadas e uma mancha de batom no rosto. Disse em pretérito perfeito que havia feito sexo com o seu chefe, por quem nutria uma atração irresistível.
Ele tentou se controlar naquela situação e disse também em pretérito imperfeito que ia fazer as malas e ir embora naquele mesmo dia.  Ela pediu para que ele ficasse, pois ela o amava e entendia que aquilo havia sido apenas um arroubo.
Ele concordou em ficar, mas o seu estômago agora era mais importante do que o ato da adúltera em questão.
Ele foi até ao substantivo cozinha e lá devorou o apetitoso prato. A adúltera chorava copiosamente no substantivo sala.
Ele decidiu comer toda a refeição que havia preparado e que lhe custou quase duzentos reais.
Ele agora tem o nome que deve ter. Ele agora satisfeito e feliz após comer aquela belíssima refeição.
Ela caminhou lentamente até o substantivo cozinha e ousou sentar em frente a ele. Ela disse que estava com fome e ele sugeriu que ela fritasse um ovo, pois ele havia comido a maravilhosa refeição e bebido todo vinho.
Ela entendeu em pretérito perfeito a gravidade da situação e decidiu que ia fritar o tal ovo.
Ela pegou em primeira pessoa do singular a palavra frigideira e colocou ou derramou um tanto de azeite de boa qualidade na  tal palavra e posteriormente quebrou dois ovos e colocou-os na tal palavra em questão.
Sentiu em primeira pessoa do singular que o marido a abraçava por trás e que tocava os seus seios gentilmente e colocava em sua boca algo que se parecia com um doce de compota de coloração vermelha e em questão de minutos ela sofria fortes convulsões e desmaiava e então ela caiu naquele chão frio e ouviu ainda o marido pronunciar lentamente a  palavra arsênico e o adjetivo inglês Darling  e + os tais ovos  que queimaram como se era de esperar e + a fumaça que tomava todo o ambiente.
João Ayres

sábado, 18 de novembro de 2017

EU FALO DE... FORÇA MOTRIZ


Eu sei que corro o risco de repetir-me demasiadas vezes neste assunto mas nunca fui de esconder a minha satisfação por, grande parte dos autores que conheço, reconhecerem em mim as competências necessárias para levar a bom porto os projectos em que me envolvo e, por essa razão, aceitarem, quase de olhos fechados, embarcar comigo.

Foi assim com as antologias que organizei. Foi assim com a colecção de poesia STATUS QUO. Foi e continua a ser assim com o TOCA A ESCREVER (blogue de divulgação de poesia). Tem sido assim com o TOCA A FALAR DISSO (blogue de divulgação literária). Tem sido assim com a parceria TOCA A ESCREVER/IN-FINITA. Começa a ser assim com o projecto IN-FINITA. Começa a ser assim com a nova colecção de contos ISTORIAS.

São mais de uma dezena de projectos e em todos tenho-me motivado através de uma força motriz, que me move e impulsiona. E essa força motriz tem muitos nomes; o de todos os autores que têm contribuído para o sucesso de cada projecto.

E o orgulho pelo trabalho feito só pode aumentar e manter-se elevado quando, de forma regular e sistemática, sou interpelado por outros autores que, vendo a satisfação daqueles que colaboraram comigo, também se colocam à disposição para futuras iniciativas.

Tal como disse no início deste texto e repetindo-me, cada dia que passa fico mais satisfeito com a forma como, muitos autores, reconhecem em mim méritos suficientes para embarcarem nos projectos em que me envolvo. Mais satisfeito fico quando esse reconhecimento vem também daqueles que nem conheço.

E a minha satisfação aumenta porque aumenta também a força motriz que me move e impulsiona.

MANU DIXIT 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

ADRIANA APRESENTA... BÁRBARA LIA


Ao chegar em Lisboa, na mala, além de roupas, trouxe alguns livros (não todos como desejava). No coração, como prometido, todos os autores e poetas que de alguma forma, estiveram comigo nessa caminhada de divulgação da lusofonia e principalmente, nos últimos eventos antes da viagem. E no pensamento, alguns projetos que bailavam ansiosamente para ganhar espaço além do território nacional verde e amarelo. E é com imensa satisfação que em menos de sessenta dias, com uma pausa para descanso, o trabalho começou a acontecer.

Um dos projetos da empresa In-Finita, além de organizar antologias e coletâneas, produzir e apoiar autores com livros e revistas, fazer trabalhos de capa, revisão, paginação, convites, redes sociais e sites, produzir, fomentar e divulgar eventos, entre outros serviços, inclui o de assessoria literária, bem diferente de ser agente. Particularidades, explicadas em reuniões com café a quem possa interessar.

Com isso, diante do sim imediato de autores convidados, aos quais agradeço pela confiança e receptividade, apresento nesse primeiro momento Bárbara Lia, nascida em Assai (PR). Poeta e Escritora. Professora de História. Publicou dez livros, entre eles: O sorriso de Leonardo (Kafka edições baratas), O sal das rosas (Lumme), A última chuva (ME), Constelação de Ossos (Vidráguas), Paraísos de Pedra (Penalux), Solidão Calcinada (Imprensa Oficial do PR) e Respirar (Ed. do autor). Integra várias Antologias, entre elas: O que é Poesia? (Confraria do Vento / Cáliban), O Melhor da Festa 3 (Festipoa), Amar - Verbo Atemporal (Rocco), Fantasma Civil (Bienal Internacional de Curitiba), A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua (Maputo). Vive atualmente em Curitiba.

Atualmente, terminando o romance que passou para a última fase do prêmio de criação literária kazuá, do qual transcrevo a título de divulgação e incentivo à autora, por quem tenho imenso carinho e admiração pelo talento, habilidade criativa e pela mulher guerreira que é.

"Como os povos que temem que lhe roubem o território, que os ataquem, que incendeiem suas casas, recebo o mundo e as pessoas como aqueles guerreiros tenazes, com os olhos faiscando de fúria. Acho que a derivação do meu nome me coloca no patamar do pecado. Eu sou Lily... Quase Lilith, eu não sou Eva. Eu nunca fui. Eu sempre – me coloquei ao lado dos homens – como disse um amigo em uma noite. Eu apenas sorri. Não aceito que sou produto de suas costelas. Eu me coloco ao lado dos homens. Sim, eu me coloco. Sou Lily. Sou Elm. Eu sou o Olmo. Sou esta árvore associada ao submundo: Lily Elm.
Quando nasci ganhei a densidade dos que não cabem no Paraíso. E isto foi o adendo, as coisas acrescidas ao meu mapa pessoal, a vida pontuando nãos. O primeiro Olmo (Elm) nasceu no exato lugar onde Orfeu parou para tocar para sua amada Eurídice, depois de resgatá-la do submundo. Eu sou o pecado e sou a fúria, mas também sou o campo sonoro onde brota a primeira árvore, por amor. Selvagem e guerreira, pronta para a batalha da vida."

Bárbara Lia

fragmento do romance inédito - não o convidei ao meu corpo


Bem-vinda Bárbara Lia, à família In-Finita !


Contato ASSESSORIA LITERÁRIA : adriana.mayrinck@gmail.com